Uma empresa onde não existem chefes. As decisões são tomadas em conjunto. E as equipes decidem em consenso como serão os projetos. Parece utopia, mas muitas empresas já começaram a funcionar deste jeito. É assim que funciona uma gestão compartilhada.

Vicente Gomes e Stela Campos falando sobre gestão compartilhada e empresa sem chefe.

O sócio consultor Vicente Gomes conversou com a jornalista Stela Campos do Valor Econômico e contou como funciona isso na prática. Assista o vídeo ou leia na íntegra aqui:

Para Vicente, uma gestão compartilhada é quando a empresa cria ambiente e condições para que as pessoas tragam seu ponto de vista, inclusive planejar, tomar decisões e fazer as coisas em conjunto.

Aqui no Brasil nós temos um exemplo emblemático, que é a Vagas.com. Lá não existe chefe, cada um se auto gerencia. E a liderança emerge da relação entre as pessoas. Então em um determinado assunto pode ser decidido por uma pessoa porque ela tem mais experiência, tem mais bagagem, tem mais condições de tomar melhores decisões naquele assunto, mas ela sempre escuta a opinião dos outros. E outras situações podem ser decididas por outras pessoas, seguindo esse mesmo conceito, usando esses mesmos critérios

Mesmo assim não é garantia que alguém vai decidir. Um dos rituais e dos combinados é estar sempre aberto para cada um dar a sua opinião, mesmo que não entenda muito do assunto mas que tenha algum tipo de impacto ou contribuição para que a melhor decisão seja tomada.

Quando existe um conflito:

Conflitos acontecem sempre. E essas empresas criam rituais e processos para que esses conflitos sejam conversados, trabalhados, sejam articulados, e as vezes elas tratam esses conflitos em vários níveis.

Por exemplo: Uma pessoa tem que ser mandada embora e a empresa não tem chefe. Nesses casos as empresas criam processos de feedback direto entre pares, e se aquilo não for resolvido, outras pessoas que tem um papel formal de aconselhar e de mediar conversas mais difíceis serão envolvidas. Até pode chegar em um terceiro nível, onde é possível fazer uma assembléia para que aquela decisão seja tomada. Mas é sempre um processo dialógico, não existe aquela figura do “eu decido e todo mundo ouve”.

Quem desenha a estratégia do negócio?

Varia bastante. Neste tipo de gestão o próprio conceito de compartilhamento também se aplica à estratégia. No caso da Vagas é feito um convite a todos os funcionários para participarem do processo de planejamento estratégico. Eles fazem algumas reuniões específicas para trazer informações, depois articular oportunidades e riscos e etc. Eles sempre trabalham com o conceito de cadeira vazia, quem quiser participar será sempre bem-vindo. As pessoas são convidadas a participar daquela reunião. E de acordo com o fluxo de planejamento pode ser que a pessoa vá em uma reunião ou outra. Mas o processo é aberto.

Esse tipo de gestão reduz a burocracia?

Tem sempre prós e contras. Todo mundo age no pressuposto de que “eu vou fazer o que eu quiser mas todo mundo tem a ver com isso.” Ou seja, mesmo que eu faça isso eu estou aberto a dialogar com as pessoas que serão impactadas positivamente ou negativamente pelas decisões que eu estou tomando. Então diminui a burocracia para agir rapidamente mas requer processos que as vezes podem travar essas decisões. Mesmo assim essas empresas notam mais agilidade na tomada de decisões.

 Um novo aprendizado está emergindo. Conheça três etapas que vão te ajudar nesta jornada rumo a liberação da potência criativa, inovadora e humana das organizações: 
Assista a entrevista com a Verte, empresa que há pouco tempo transformou sua gestão para o mode compartilhado.
Dialogo com Sandra Rossi sobre Gestão Compartilhada