Esta semana, 200 líderes empresariais se reuniram em Austin, no Texas, no décimo “CEO Summit” do movimento Capitalismo Consciente, para refletir e dialogar sobre a busca da autoconfiança e da humildade como características fundamentais de um líder. Tivemos o privilégio de dar uma palestra sobre Inovação Consciente nesse encontro.

Sabemos que no contexto cada vez mais complexo e volátil em que vivemos, a inovação se tornou o principal caminho para as empresas crescerem e terem sucesso nos seus mercados. E as empresas mais inovadoras recebem um “prêmio” do mercado: suas marcas são mais reconhecidas, elas atraem os melhores talentos e parceiros de negócio e mais dinheiro dos investidores.

A inovação é uma expressão natural da consciência humana. Todos nascemos criativos, mas vamos ofuscando essa capacidade enquanto crescemos e nos moldamos ao sistema educacional e depois profissional. Muitas vezes, deixamos de ser autênticos e de expressar nossas melhores ideias. A pergunta é como resgatar essa criatividade original que todos temos e criar produtos e serviços que gerem valor no mercado.

Então como podemos criar uma organização inovadora? Como criar um ambiente no qual as pessoas estejam motivadas a dar o seu melhor e coletivamente criar o novo?

A inovação consciente emerge da combinação de uma frequência cocriativa e de um método gerador de insights (vide gráfico abaixo).

frequencia-e-metodo

A forma que pensamos, nos relacionamos, aprendemos e nos organizamos em uma companhia cria, ou nos afasta, de uma frequência criativa. Quando as pessoas sentem que a empresa tem um propósito ousado, que suas ideias são bem-vindas, que há um ambiente de colaboração e confiança e que se pode experimentar (e até errar), elas se arriscam a contribuir e a construir o diferente juntas. É como se houvesse uma energia especial no ar, uma frequência que favorece a inovação.

Ao mesmo tempo, usar um método estruturado para gerar insights é fundamental. O método, inspirado na Teoria U do professor Claus Otto Scharmer, se inicia com uma pergunta crítica para o negócio. Em seguida, parte-se numa jornada para ver e sentir, com olhos e corações abertos, o contexto ampliado da questão, identificando sinais e padrões do mercado. Um diálogo profundo (com momentos de silêncio) favorece o nascimento de insights coletivos. O próximo passo é transformar estes insights em protótipos e experimentar, sem medo de errar, até identificar a melhor solução para tornar a inovação uma realidade no mercado.

Você também pode conscientemente desenhar a sua empresa para a inovação: sintonize a sua organização nessa frequência e use o método proposto para transformar a criatividade humana que já existe dormente em valor para o mercado.

José Luiz Weiss e Mauricio Goldstein são sócios consultores da Corall e escrevem para o blog Gestão Fora da Caixa da Exame.