Funcionário ou colaborador? — Modelo de gestão

Por Claudio Thebas

Ninguém sabe direito como começou. Uma determinação aqui, uma circular ali… Pronto. Aconteceu. Mudaram-se os nomes. Funcionário virou Colaborador. Gerente — ou todo aquele num posto hierarquicamente superior — passou a ser chamado de Gestor. Isso é extremamente significativo. Nasce assim um novo modelo de gestão.

Nunca achei que seis fosse igual à meia dúzia. Seis era seis. Meia dúzia, não. Meia dúzia era um seis com mais orgulho. Era metade da dúzia. E deixava transparecer o desejo secreto de um dia ser a dúzia inteira. Pra mim, meia dúzia era um seis com aspirações.

Sinto que o mesmo acontece agora nas empresas. A troca de nomes só terá sentido se compreendida — e vivida — como uma troca real de significados. Pois o que se deseja, alterados os nomes, é que se alterem também as posturas, as atitudes, e o jeito de se ver e viver as coisas.

Fiz um exercício. Imaginei-me dono de uma empresa. E mudei o modelo de gestão. Mudei porque pra mim, o funcionário deixa de ser aquele que tem que funcionar. Fica compreendido que quem funciona é máquina, não gente. E que pra que esta máquina, a empresa, funcione, é necessário que a equipe toda trabalhe em um ambiente colaborativo. Ou seja, é necessário que todos sejam realmente colaboradores. Puxa — pensei eu, dono da empresa — isso é complexo… Colaborar de verdade implica em querer… Ninguém colabora com uma causa que não acredita. Como eu, poderia despertar o querer do meu pessoal? Com este enigma na cabeça, continuei o meu exercício e aconteceu algo ainda mais cheio de novos significados para o termo Gestor. Na minha empresa imaginária, Gestor não é derivado de gestão, mas de Gestação.

O ex gerente passa então a ser responsável por criar um ambiente propício à vida. Um local em que as pessoas possam se expressar, dar ideias, criar projetos. E com isso sintam-se pertencentes e com real desejo de participar do todo. Ou seja… de colaborar…Fiquei satisfeito. No meu exercício, cada novo significado completa o sentido do outro.
 Enfim…Acho fundamental que as empresas façam este exercício. Reflitam sobre significados e significantes. E abram um amplo e sincero debate sobre o que se deseja com os novos tratamentos. Caso contrário, não estarão trocando seis por meia dúzia, mas seis por seis mesmo.

Claudio Thebas é educador, palhaço e fundador do Laboratório de Escuta e Convivência