Modelos de Organização influenciam e muito nos resultados de qualquer empresa e há alguns anos vêm se transformando, sem dúvida para melhor.

Uma das cenas mais icônicas da história do cinema é a sequência no filme Tempos Modernos (1936) em que Charles Chaplin, no papel de um operário, enlouquece em uma linha de montagem desumanamente acelerada e sai apertando parafusos imaginários, inclusive no corpo das pessoas. Quase 80 anos depois da crítica ao mundo do trabalho levantada por Chaplin, a concepção de que empregados são peças intercambiáveis de uma grande estrutura ainda persiste em boa parte das organizações.

Baseado na minha experiência consultiva e executiva nos últimos 25 anos, acredito que o modelo organizacional mecanicista (no qual se considera que a empresa é uma máquina, cujo funcionamento deve ser otimizado) tem ótimos resultados com relação a aumento de produtividade, uso eficiente de recursos, redução da variabilidade no produto, o que até resulta em sucesso financeiro no curto prazo. Mas esse modelo tem maior dificuldade em gerar a inovação, o dinamismo, a resiliência, a capacidade de adaptação, a tomada de risco, o protagonismo, a mentalidade de propriedade, a paixão em atender ao cliente, o espírito de equipe e o ser integral no trabalho, qualidades que os presidentes de empresa insistentemente afirmam necessitar para que as organizações que dirigem produzam valor e criem condições para a sua perpetuidade nos tempos atuais. Assim, sinto que muitas empresas só realizam uma fração do seu potencial em gerar riquezas e bem-estar para os múltiplos stakeholders, incluindo-se nisto o seu acionista.

Trecho retirado do livro Novas Organizações para uma Nova Economia, de Mauricio Goldstein.