Quase todas as pessoas costumam achar que são boas em avaliar o caráter e as qualidades dos outros, a ponto de, às vezes, em apenas alguns minutos (ou só de olhar) já terem uma opinião formada sobre elas.

Uma amiga que trabalhava com seleção no início de sua carreira, me contou que rejeitou um candidato a uma vaga de gerente logo nos primeiros minutos, pois ele foi para a entrevista vestindo uma roupa bem informal, considerada inapropriada para aquele ambiente. Alguns anos depois, encontrou este mesmo homem, em outra empresa, em uma posição executiva, na qual era considerado um possível sucessor do presidente pela excelência de seu trabalho! Comentou que ao reencontrá-lo pensou como havia sido preconceituosa alguns anos atrás.

O fato é que, de forma geral, as referências e experiências que temos ao longo da vida, também têm um lado sombra, elas criam nas nossas mentes modelos ou estereótipos do que significa ser um sucesso, ser um fracasso, ser criativo, ser um líder e assim por diante. E se não nos tornarmos conscientes deste mecanismo automático, vamos permanecer presos nos nossos próprios modelos mentais.

Até mesmo personalidades bem conhecidas, alguns até considerado gênios, foram em algum momento de suas vidas avaliados de forma bem equivocada. Veja alguns destes exemplos:

Albert Einstein começou a falar apenas com 3 anos e seus professores até a faculdade achavam que ele não conseguiria realizar nada significativo na vida!

• Isaac Newton também obteve notas ruins na escola e achavam que teria um futuro mediano.

• O ator Harrison Ford foi demitido de 2 estúdios antes de começar a trabalhar com George Lucas.

• Walt Disney foi demitido de um jornal com o argumento que lhe faltava imaginação.

• Michael Jordan foi rejeitado no time de basquete da escola.

• Winston Churchill repetiu a sexta séria na escola.

• Abraham Lincoln faliu como empresário 2 vezes e perdeu 6 eleições antes de se tornar presidente dos EUA.

• Oprah nasceu pobre de mãe solteira, foi estuprada com 9 anos, engravidou com 14. No seu primeiro trabalho para TV foi demitida por ser considerada sem perfil para a televisão.

Estudos mostram que o que tornou estas pessoas um sucesso foi um propósito maior que elas mesmas e um forte sentimento de um chamado da vida para expressar seus talentos em prol de tal propósito. E também os desafios que encontraram no caminho e falhas eram vistos apenas como aprendizado para fazer diferente!

Agora, se pensarmos na velocidade das mudanças no ambiente de trabalho dos últimos tempos, então vemos que temos um desafio ainda maior! Por exemplo, o modelo de sucesso da geração X (Nascidos aproximadamente nos anos 60 e e 70) é totalmente diferente da geração Y (Nascidos aproximadamente nos anos 80 e 90). Por outro lado, é bastante comum que um time da geração Y tenha um líder da geração X. Modelos mentais bem diferentes convivendo no mesmo espaço! É preciso uma mente aberta e atenta para acompanhar a evolução dos tempos.

No exemplo que compartilhei da minha amiga, aquele candidato com roupa informal poderia ser visto como tendo exatamente o que era necessário para aquela empresa. Pessoas que estão à frente de seu tempo tendem a demonstrar algo que a princípio causa estranheza. Fique atento, fique curioso, desafie suas ideias pré-concebidas. Uma coisa que faço para tentar escapar desta pegadinha do pré-conceito é: quando conheço alguém e me percebo com uma avaliação rápida, conscientemente dou uma pausa para perceber o que está acontecendo comigo e faço uma escolha consciente de me manter curiosa por mais um tempo. Às vezes temos boas surpresas, vale à pena!

Alessandra Almeida é sócia consultora da Corall e escreve para o blog Gestão Fora da Caixa da Exame.