– E aí, como estão as coisas?
– Ah, você sabe, na correria de sempre…
– Sei! Aqui é a mesma coisa.

Essa é uma conversa padrão entre duas pessoas que trabalham, entre dois adultos atarefados. E, sabe de uma coisa? Confesso que me intriga pensar em que momento aprendemos que estar “na correria de sempre” é algo bom e aceitável.

Meu incômodo começou há quatro anos, quando tirei um período sabático de dez meses. Ao me desligar e me preparar para as viagens, me dei conta de que carregava um cansaço acumulado de duas décadas de importantes realizações profissionais, mas com formato e ritmo desconfortáveis — horas extras, dores corporais, agitação mental frequente com pouco espaço de reflexão, centramento e descompressão.

Pairava em mim uma sensação de acúmulo de tarefas, de ser tomado pela vida numa rotina maçante. De estar fragmentado entre o agora e logo mais, com o tanto que ainda faltava fazer… Me dava conta de que nunca dava conta!

Ao retornar das atividades sabáticas, comecei a reorganizar tempos, escolhas e prioridades. Na verdade, eu passei a observar e aprofundar no sentido do trabalho em minha vida; percebia que a forma que organizava minha agenda antes não me deixava feliz nem motivado.

À medida em que o tempo vai passando, vou aprendendo a lidar com o trabalho de uma maneira diferente. E compartilho alguns insights que tem me ajudado no caminho:

  • Energia é a moeda mais preciosa do nosso tempo. Descanso, meditação e silêncio são combustíveis que nos ajudam a estar presentes, firmes e fortes frente aos desafios profissionais.
  • Lentificar é uma possibilidade poderosa. Sim, respostas rápidas são importantes para o bom andamento do trabalho, ao mesmo tempo que algumas situações complexas exigem lentificação e cautela. Nesses casos, reagir rapidamente pode ser um movimento superficial e desastroso.
  • Responder “eu não sei” é uma opção. Assim como as situações que exigem lentificação, é importante atentar também para o vício de ter resposta para tudo o tempo todo. Declarar não saber permite explorar alternativas e dialogar de forma aberta e flexível para encontrar soluções num tempo mais orgânico.
  • Priorizar, priorizar, priorizar. Prioridade tem a ver com limitar a quantidade de compromissos que assumimos de tal forma que, ao nos envolver com as tarefas escolhidas, possamos ter um posicionamento mais ativo, potente e focado.
  • Cuidar da comunicação. Vale cuidar da forma que nos comunicamos, escolher o formato e articular a conversa. Existe uma diferença substancial entre o que escrevemos e falamos, entre como nos expressamos virtual e presencialmente.

Esses pequenos cuidados têm me tornado mais consciente, leve e seguro. É um desafio constante tomar o tempo pela mão, fazendo o que é suficiente com qualidade e inteireza, um desafio que vale a pena ser vivido. Um movimento que gera energia, sentido e felicidade.

Agora, depois do que compartilhei, te pergunto: como estão as coisas? Quais são seus desafios e prioridades atuais? Como está a qualidade do tempo que você dedica aos trabalhos com os quais tem se envolvido?