Em meio a esta crise econômica, política e moral que vivemos, é interessante notar qual a escolha de comportamento dos indivíduos e das empresas. Será que nossa reação é lutar ou fugir, ou conseguimos manter o equilíbrio e agir de acordo com nossos valores? Viver de acordo com valores nos momentos de bonança é fácil, mas na crise só é possível se estes valores estiverem muito bem plantados; do contrário, somos inconscientemente sequestrados pelos nossos instintos mais primitivos!

Felizmente, muitas são as empresas que escolhem valores que contribuem para o coletivo, como por exemplo: sustentabilidade, sentimento de dono, trabalho em equipe, dentre outros. Esta escolha já reflete uma intenção de olhar para o todo, construindo coletivamente algo para o bem comum; mas para que isto ganhe força é importante olhar a coerência com as “regras do jogo”. Vale mencionar 2 regras do jogo que são muito impactantes: definição de metas e remuneração variável.

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Vale mencionar 2 regras do jogo que são muito impactantes: definição de metas e remuneração variável.

A metodologia mais comum atualmente para definição de metas envolve balanced scorecard com cascateamento. O conceito é ótimo, mas a forma como o cascateamento tem sido feito gera algumas inconsistências e até disputas. Por exemplo, imagine uma empresa em que a diretoria industrial tem a meta de acuracidade de produção e a diretoria comercial a meta de crescimento em vendas. Pode ser que para crescer em vendas, seja necessário modificar ao longo do ano o mix e o volume de produção; mas muito provavelmente a área industrial vai reclamar, pois assim não conseguirá atingir suas metas. A inflexibilidade em mudar as metas e o olhar fragmentado por funções da empresa acaba gerando este tipo de situação. Esta disputa será ainda maior, se a remuneração variável estiver atrelada às metas, como tipicamente acontece.

O que é mais intrigante é que várias empresas que apresentam este tipo de desafio, possuem valores que estimulam a coletividade como sentimento de dono. Pode ser que não tenham associado a necessidade de coerência entre os valores e as regras do jogo, mas também pode ser que optaram pelo estilo de gestão por conflito. A lógica de quem gosta da gestão por conflito é que estimularia uma tensão criativa; mas o que acaba acontecendo quase sempre é o inverso, ou seja, o “salve-se quem puder”.

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Se o ditado popular diz que em time que está ganhando não se mexe, o oposto é verdadeiro, ou seja, em time que não está mais ganhando deve-se mexer e o mais rápido possível.

Vejo este nosso momento como uma grande oportunidade para as transformações necessárias para as pessoas, empresas e para o Brasil. Se o ditado popular diz que em time que está ganhando não se mexe, o oposto é verdadeiro, ou seja, em time que não está mais ganhando deve-se mexer e o mais rápido possível.

E na sua empresa, as regras do jogo estão coerentes com os valores e ajudam o coletivo? Se você pudesse rever uma regra, qual seria? Um diálogo entre os líderes da sua organização pode transformar este momento desafiador em um marco de transformação e sucesso!

O barco pode estar furado, mas todos podem chegar à praia juntos. Pode ser que os que não sabem nadar sejam os melhores remadores e os que só tem boia tenham melhor senso de direção e só com eles os que tem bote conseguem chegar ao destino final!
Alessandra Almeida é Sócia Consultora da Corall e escreve para o blog da Exame.com, Gestão Fora da Caixa.