Por Alessandra Almeida

Para iniciar esta reflexão, primeiro gostaria de clarificar o que quero dizer com conversas verdadeiras: são conversas onde a agenda é aberta e existe uma coerência entre o que falamos, pensamos e sentimos.

Por alguns instantes reflita: Quantas são as conversas que você tem participado na sua empresa que podem ser consideradas assim? Com que pessoas e em que situações?

Para boa parte das pessoas este tipo de conversa é rara, principalmente no ambiente corporativo. O que escuto muito como coach são pessoas pisando em ovos, receosas sobre como suas opiniões serão recebidas e muitas vezes optando por não externar suas ideias. Mas como o incomodo de não se posicionar é muito grande, ao término das reuniões, acabam compartilhando o desconforto com os colegas mais próximos, reforçando coletivamente um padrão de não tratar de forma aberta e madura os temas delicados.

Na tentativa de melhorar a fluidez da comunicação, muitas empresas investem em treinamentos que usam técnicas poderosas como a comunicação não violenta ou programação neurolinguística, mas as técnicas sozinhas não são capazes de desatar o nó. Não basta promover um programa de 1 ou 2 dias, é preciso coragem e desejo de se conhecer mais a fundo, revelando necessidades e receios que atuam como pano de fundo de como verdadeiramente nos sentimos e nos expressamos. A técnica sozinha funciona como uma maquiagem malfeita que nas primeiras gotas de chuva se desfaz… Estimular o autoconhecimento, bem como trabalhar a confiança criando ambientes que acolham as divergências é fundamental; assim como saber sustentar os incômodos que eventualmente surjam.

E atenção, um ambiente amigável, não necessariamente é sinal de que as conversas são verdadeiras, pois pode mascarar a superficialidade das relações muitas vezes bem vestidas de elogios mútuos e histórias de conquistas. Então o que pode ajudar a aprofundar as relações? Tenho praticado algumas técnicas para ajudar grupos, como os três exemplos que ofereço como inspiração para você:

  1. Estimular que na descrição dos cases, as pessoas incluam os desafios pessoais e as lições aprendidas. Se houver um padrão das narrativas serem sempre fáceis, é provável que a pessoa ou esteja entediada com o trabalho ou simplesmente não se sinta confiante para estar vulnerável neste grupo e isto pode gerar boas conversas.
  2. Estimular para que em cada situação descrita a pessoa peça e acolha pelo menos duas outras formas para lidar com o caso. Assim, por design passamos a incluir as opiniões diferentes das nossas sem considera-las de antemão uma ameaça.
  3. Ter um facilitador para cada reunião, o qual será responsável por observar as dinâmicas do grupo e sempre que sentir que as conversas estão superficiais, irá instigar reflexões sobre o que de fato está se passando. Em alguns casos, um facilitador externo é mais indicado por ser um elemento neutro no sistema.

Compartilhe você também, o que tem feito para estimular conversas verdadeiras e se quiser aprofundar este tema, fique à vontade para me escrever: alessandra@corall.net

Artigo originalmente escrito para o blog Gestão Fora da Ciaxa da Exame.com