Quebrando o tabu da qualidade de vida nas empresas — Cultura organizacional

Por Alessandra Almeida

* Cultura Organizacional

O tema qualidade de vida tem sido visto como um tabu e muitas vezes considerado um assunto tão individual que não pode ser tratado na esfera das organizações. Esta me parece uma desculpa verdadeira para um assunto muito importante para os dias de hoje! O fato é que as pessoas estão cada vez mais estressadas, até mesmo esgotadas, e mesmo assim o termo “workaholic” disfarçadamente passou a ser quase um elogio, associando o excesso de trabalho a um alto nível de engajamento… Mas sabemos que este esgotamento tem um preço, na saúde física e mental e consequentemente na nossa capacidade de estarmos plenos para a vida.

Mas o que fazer para quebrar este tabu? Penso que três passos podem ajudar muito: inspirar, aprofundar o entendimento e co-criar.

Para inspirar, é bom notarmos que muitos são os exemplos que estão emergindo. Meus sócios Vicente Gomes e Mauricio Goldstein, em seus livros “Liderança para uma nova economia” e “Novas organizações para uma nova economia”*; trazem vários exemplos de empresas de diversos setores, tamanhos e origem de capital que já adotam práticas diferentes que contribuem para um maior equilíbrio de vida. Outra fonte de informação muito interessante pode ser encontrada no estudo Outside´s Best Place to Work *.

Ler exemplos inspiradores pode ser um primeiro passo para quebrar este paradigma, mas entender o real significado deste tema para a sua empresa é fundamental. Muitas são as formas para aprofundar este entendimento: pesquisas, grupos focais, encontros de diálogos reflexivos sobre o tema, etc. Vale lembrar, que seja qual for o processo adotado, é muito importante capturar as diversas perspectivas e para isto, dependendo da cultura e do quão delicado for o tema, pode ser indicado o apoio de um parceiro externo. Isto ajudará as pessoas se sentirem mais à vontade para compartilhar suas opiniões e sentimentos.

Uma vez entendido o contexto e o significado de qualidade de vida para a sua empresa, então se dá início ao processo de transformação. Nesta fase, assim como na anterior, faz toda diferença que haja a participação de líderes de diversas áreas. Este processo de co-criação permitirá a construção de soluções mais profundas e impactantes, bem como ajudará na disseminação destas novas práticas com muito mais força, já que representa o trabalho de muitos.

Agora, se todo este processo parece demais para o contexto da sua empresa, não desanime. Pequenos movimentos podem ajudar nesta mudança de paradigma!

Alessandra Almeida é sócia e consultora da Corall

Veja o artigo original publicado na EXAME

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