Por Vicente Gomes, sócio-consultor Corall

Acabei de sair de um encontro promovido pela Digital House, uma escola de programação que está ajudando o ecossistema de digitalização de negócios a crescer. O tema foi Corporate Innovation e empresas como Telefonica, P&G e Ambev foram compartilhar suas experiências em como estão agindo no novo cenário de disrupção digital e de negócios.

O resumo da ópera foi que duas delas já criaram times fora da organização principal para identificar, nutrir e desenvolver startups que conversem com seus negócios em vários níveis, tanto com soluções de melhoria de processos internos quanto em modelos de negócios e outras formas de se relacionar com seus clientes.

A Ambev tem a ZX Ventures e a Telefonica a Wayra e outras frentes tais como a Alpha, para projetos moonshot de longo prazo. Também existem iniciativas feitas dentro das próprias empresas, bottom-up, com muito esforço e resiliência, surgindo de pessoas que querem fazer diferente e que com o tempo são apresentadas para o top management para apoio institucional e suporte financeiro. Isso acontece na P&G e na própria Ambev, como na área de procurement e sustentabilidade, que apresentou como estão atraindo startups para ajuda-los a agregar mais valor.

Um ponto que me chamou a atenção foi a não priorização de se transformarem elas mesmas para sobreviverem neste novo cenário de mudanças rápidas e complexas, incluindo a transformação tanto de mindset quanto das formas de trabalho para uma mais ágil e responsiva às essas necessidades mutantes. Todos os painelistas apontaram a cultura de suas organizações como o principal desafio para inovar, a maneira como as coisas são feitas hoje e as premissas tácitas a partir das quais os processos são executados, como por exemplo, a necessidade de compliance e controle que uma grande empresa tem. Uma delas teve que buscar fora do Brasil novos processos para contratar uma startup que era três vezes mais eficiente que seu fornecedor global: o novo parceiro não tinha 3 anos de balanço e fôlego de esperar 120 dias para receber suas faturas que o processo de compras de então necessitavam. Felizmente a matriz já havia desenvolvido novos parâmetros para pedidos de compras em startups mas que a função aqui no Brasil, talvez influenciada pela cultura atual, não tinha disponibilizado ainda localmente.

Para mim, além do que se está fazendo em termos de nutrir ecossistemas de inovação, essas grandes empresas precisam começar a se transformar de dentro para fora ao mesmo tempo. Assim podem alavancar a introdução das inovações vindas destes ecossistemas e começar a liberar suas próprias capacidades internas de fazer mais com menos e agregando mais valor para quem realmente importa, o cliente!

Estamos ajudando uma grande empresa de consumo a experimentar em seus processos de lançamento de novos produtos, incluindo a comunicação, uma abordagem ágil para reduzir drasticamente o tempo e custos envolvidos. É um piloto que já está rendendo vários bons frutos sendo o principal, na minha opinião, aprender a realizar o trabalho de forma mais empreendedora, colaborativa e rápida, mudando assim o mindset e a cultura. Neste exemplo estamos utilizando a metodologia Scrum adaptada para promover mudança cultural. A utilização de metodologias ágeis, em conjunto com mudança de modelo mental e padrões emocionais, capacitam os times com ferramentas simples e poderosas e novos soft skills de forma que as pessoas apreciam a jornada, por mais que as tirem da zona de conforto. Além disso, a empresa começa a se mover na direção de ser mais adaptativa e responsiva ao mundo VUCA que todos estamos experimentando!

Você conhece outros casos onde as empresas estão fazendo também transformações de dentro para fora para inovar? Compartilhe conosco!

Artigo originalmente publicado no blog Gestão Fora da Caixa da Exame.com