Com uma vontade enorme de voltar a empreender como agência de comunicação, resolvi pesquisar o mercado para ver o que havia perdido em 10 anos mergulhado em consultoria. Não imaginava que o que eu acabaria descobrindo corresponderia exatamente à imagem do que eu vinha construindo como um observador descompromissado.

As cinco maiores agências digitais do mundo estão nos Estados Unidos e apenas uma pode ser considerada um grupo de comunicação, digamos, de raiz. Os dados são do Agency Report 2016 do site Ad Age. O primeiro lugar é ocupado pela Accenture Interactive, seguida pela IBM Interactive, Deloitte Digital, Epsilon (Alliance Data Systems Corp) e, finalmente, a Wunderman (WPP). E muitas outras consultorias entraram na corrida, entre elas, a PwC, KPMG, BCG, Wipro, EY e até a McKinsey.

“O que agências de consultorias como Accenture Interactive e Deloitte Digital afirmam é que as vantagens que elas possuem simplesmente não podem ser entregues pelas agências de publicidade. Estão falando de competências como experts verticais, visão global do consumidor, mão de obra para produzir toneladas de conteúdo e — por causa de suas atuais relações de consultoria — uma melhor compreensão de como o marketing digital pode se encaixar na estratégia global de negócios.” É o que diz a jornalista Tessa Wegert, especialista em tecnologia digital no artigo “Can Accenture Take Over Advertising?”, no site Contently. Em uma entrevista concedida para o HWB, Paul Papas, o líder global da IBM iX, braço da gigante de tecnologia que se posiciona na intersecção entre estratégia, criatividade e tecnologia, engrossa esse caldo ao afirmar que “o mundo das agências está focado em ideias e mensagens, mas nosso DNA inteiro é sobre experiência humana e experiência do cliente. Nossa visão é mais ampla — ajudando as empresas a se transformarem.” Na mesma matéria, intitulada “Digital Expansion Sees Management Consultancies Enter Agency Turf”, a presidente do PR Council, Renee Wilson, com passagem pela rede MSL Group do Publicis Groupe, confirma que esta é uma ameaça real. “A IBM é um dos maiores concorrentes das agências de publicidade e relações públicas nos dias de hoje”.

Melhor ver como oportunidade do que como ameaça

Aprendi como empreendedor que ameaça é uma palavra que muita gente usa para defender a manutenção do status quo. Uma outra forma de descrever o que está se passando no mercado é oportunidade. Uma oportunidade não só para as consultorias e agências, mas para os executivos das empresas que contratam essas mesmas consultorias e agências. Porque se há uma mudança relevante em curso fora das paredes das organizações, há outra correlacionada acontecendo dentro delas.

No estudo “A Reinvenção do Trabalho na Era da Comunicação em Rede”, conduzido pelos pesquisadores Alessandra Almeida e William Cerantola, foram mapeados uma série de indicadores em nove empresas que adoaram a plataforma Workplace do Facebook. Além de impactos profundos na cultura organizacional, em especial, no que se refere a empreendedorismo, colaboração e agilidade na tomada de decisão, o que se vê é uma verdadeira reinvenção da área de comunicação, que migra, com o advento da rede corporativa, de um papel de hub (centralizadora e intermediadora) para o de netweaver (articuladora, curadora e mentora). Em outras palavras, fortalece o seu papel consultivo, enquanto suas responsabilidades de produtora de conteúdo são distribuídas pelos múltiplos talentos de comunicação espalhados pela empresa. Longe de ser uma ameaça, a comunicação em rede surge como uma oportunidade de ouro para fortalecer o papel estratégico da comunicação organizacional, reposicionando e valorizando os profissionais de comunicação e Relações Públicas. É o que aconteceu, por exemplo, nas Casas Pernambucanas, onde a plataforma digital nasceu na agenda estratégica para promover a transformação da empresa, e a área de Comunicação, que antes se reportava a um diretor de RH, passou a se reportar diretamente ao CEO. E se o papel e a identidade da área de Comunicação se transformam, as agências não têm como ficar imunes.

Somos uma consultoria ou somos uma agência? Somos os dois.

Depois de atuar por cinco anos como consultor independente em comunicação face a face e comunicação de liderança e por mais quatro como consultor e um dos sócios da Corall Consultoria, senti que havia chegado a hora de ampliar um pouco mais minha oferta ao mercado para atender o propósito de catalisar a transformação das organizações e pessoas, acelerando o emergir de uma nova economia, baseada na prosperidade compartilhada, no uso eficiente de recursos, na felicidade e no bem-estar. Sim, esse movimento surge primeiro para atender a um chamado pelo propósito e, além disso, claro, também capturar uma oportunidade de mercado.

Tendo como co-fundadores Alessandra Almeida, Larissa Duarte, Priscila Mattucci, William Cerantola , além de mim, que acumulo a função de CIO (Chief Inspirational Officer), formamos a Corall Comm, uma agência de consultoria em comunicação que transforma, exatamente como o indicado no estudo da Agency Report.

Somos uma consultoria porque desenvolvemos e transformamos pessoas e organizações.

Somos uma agência porque fortalecemos as relações entre as marcas e seus públicos.

Somos uma agência diferente porque reconhecemos a capacidade do cliente de co-criação das melhores soluções em comunicação para suas questões de negócios.

E somos uma consultoria diferente porque fazemos parte de uma empresa referência em transformação organizacional, que já trabalhou para mais de 150 empresas desde que foi fundada em 2013.

Queremos ser lembrados como a melhor agência de comunicação? Não, mas iremos realizar planos e campanhas de comunicação que fortaleçam a marca, a reputação e assegurem sintonia com os públicos.

Queremos ser lembrados como a melhor consultoria de comunicação? De modo algum, mas iremos perseguir sem descanso a comunicação que alinhe propósito, negócios e pessoas.

Queremos ser lembrados por tornar a Comunicação uma área realmente estratégica e que seja uma aliada indispensável na transformação das organizações.

Nosso sonho é que, daqui a alguns anos, quando perguntarem para um de nossos clientes o que a Corall Comm tem de diferente, ele simplesmente responda: “A Corall Comm? A Corall Comm transforma.”

O white paper sobre o estudo “A Reinvenção do Trabalho na Era da Comunicação em Rede” pode ser baixado aqui: https://docs.wixstatic.com/ugd/40175d_54469d7fdfff42f4b52398ed91371fb8.pdf

Corall Comm e Workplace também co-produziram um documentário que pode ser assistido aqui: A Reinvenção do Trabalho na Era da Comunicação em Rede