30 aprendizados sobre Cultura e RH segundo a Revista HSM

Se a cultura come a estratégia no café da manhã, como bem dizia Drucker, o que ela faz quando não há estratégias a serem devoradas? Como a crise pegou desprevenida até a mais disciplinada organização, a falta de clareza na estratégia – ainda que momentânea – fez os aspectos positivos e negativos de cada cultura organizacional saltar aos olhos. Os aprendizados sobre gestão de pessoas foram tantos que mereceram um terço de todo este dossiê.

O trecho acima foi retirado da revista HSM edição de setembro de 2020 que compilou a opinião de diversos especialistas de diversos setores sobre os aprendizados que a pandemia nos trouxe.

O sócio consultor Marcelo Ribeiro foi um deles e sua participação nesse Dossiê de 100 aprendizados na pandemia  encontra-se entre os aprendizados de cultura e RH. Colocamos abaixo os trechos principais que o Marcelo colaborou e os 30 aprendizados sobre cultura e RH na opinião da revista.

Trechos com participação de Marcelo:
  • Infelizmente, ainda há no mercado aquele RH que se preocupa “somente em fazer festas e comprar presentes”, avalia uma fonte que preferiu não se identificar. Para essa fonte, “nem todos estavam prontos para desempenhar um papel de protagonista na crise. Esses líderes precisam se preparar, aprendendo e executando o lado hard dos negócios, como dominar finanças, ser letrado em dados, fazer orçamento, calcular o ROI de suas ações, ter indicadores e processos, prestar contas. Enfim, ter iniciativa, postura, dizer não e aconselhar líderes sem medo”.Portanto, eles terão de se reinventar. Mesmo que tenham sido ágeis na adaptação ao trabalho remoto, práticas de gestão desatualizadas, como as que incentivam o microgerenciamento, vieram à tona. “Microgerenciar é o caminho oposto do líder inclusivo, que valoriza a diversidade, dá espaço e liberdade para o outro ser quem é e entregar o trabalho da melhor forma”, avisa Marcelo Ribeiro, sócio-consultor da Corall Consultoria.

Aliás, o líder com esse perfil (de comando e controle) deve estar com seus dias contados nas             corporações. “O momento que vivemos, em que tudo é volátil, incerto e é inédito também, reforça a                        necessidade por um líder que sabe delegar, escutar as pessoas, para então criar formas e soluções para lidar              com o que está emergindo”, diz Ribeiro.

  • Outro aprendizado evidenciado pela crise é que o RH deve fazer menos assessment, e “ajudar identificando e desbloqueando os entraves da organização”, diz Ribeiro, que completa: “e ainda desburocratizar e deixar as pessoas aparecerem mais criativamente, além de apoiar as lideranças a terem uma gestão mais participativa”.A criatividade volta à moda, mas seria um substituto à obediência? Na opinião do sócio da Corall, a criatividade ganha força, mas não a vê como substituta à obediência, podendo ambas coexistirem, cada qual com seu valor. “A obediência é importante para alguns processos, como os repetitivos, de rotina, em ambientes controlados como os fabris.” Já a criatividade, a qual aflora quando há várias pessoas inovando, pode até gerar conflitos e um certo caos na organização, mas só num primeiro momento.
  • Está claro que a visão de cacique e índio – ou o “manda quem pode, obedece quem tem juízo” – não cabe mais. O líder tem de pôr a mão na massa e o liderado terá de ser líder de vez em quando. Ribeiro estudou o tema para a produção do vídeo “O que uma líder indígena pode nos ensinar sobre liderança?”, que está no canal da Corall no YouTube. Ele conta que nem mesmo nas aldeias indígenas existe essa verticalidade; pelo menos na Pataxó, a gestão é horizontal, coletiva e de corresponsabilização.

 

  • Para Ribeiro, a confiança é importante para que cada um se conecte e colabore. “A crise intensifica essa necessidade de se estar mais conectado e interdependente; e trabalhar a confiança – no sentido de poder contar com o outro, julgando que tem competência e recursos para tratar de uma determinada questão – é muito importante.” Isso requer também uma gestão mais horizontalizada, em que a interdependência seja o fio condutor para que as decisões sejam tomadas por consentimento, e não mais por consenso.

“As pessoas não resistem a mudanças, e sim a serem mudadas. Portanto, ao perguntar para elas e cocriar soluções, as pessoas tendem a colaborar muito mais. Todos gostam de pertencer, por isso é preciso aceitar as perspectivas diferentes e ir trabalhando o consentimento, que é chegar a uma solução, em que cada um cede um pouquinho, para ficar bom para o coletivo”, analisa Ribeiro.

 

  • Já se passaram mais de cem dias desde a primeira recomendação de distanciamento social dada no Brasil. Com novos hábitos adquiridos, ninguém voltará igual aos escritórios, e a organização vai ter de se redesenhar. “É importante que as empresas tenham consciência disso e que aprofundem conversas sobre os impactos práticos na gestão”, destaca Ribeiro.

 

Lições – cultura

1. O propósito “fake” dá lugar ao genuíno, destacando empresas que realmente contribuem com a sociedade.

2. Empresas exercitam a sustentabilidade e percebem seus benefícios.

3. Flexibilidade de horário e espaço físico permanece.

4. A colaboração e o trabalho em equipe precisam predominar como modelo de trabalho.

5. A agilidade na tomada de decisão deve fazer parte do DNA das empresas. 6. A liderança deve atuar como hub de produtividade da equipe.

7. A produtividade do líder não é e não será operacional.

8. A medida de produtividade serão as entregas e a participação, e não horas de presença.

9. É preciso ressignificar o papel das metas no contexto organizacional.

10. Lifelong learning é mandatório para pessoas físicas e jurídicas.

Lições de RH:

11. O RH está sendo empurrado para o protagonismo no novo mundo.

12. O RH vai precisar, definitivamente, entender de negócios.

13. Práticas de gestão ineficientes, como o microgerenciamento, serão substituídas e um novo RH deve emergir.

14. O líder do comando e controle pode não ter morrido, mas será combatido fortemente.

15. Os rituais ágeis também funcionam a distância.

16. Menos assessments e mais foco em ajudar as pessoas a conhecerem seus vários “eus” e conciliá-los.

17. A criatividade volta, de fato, à moda, e fomenta a inovação necessária para o momento.

18. Processos internos devem ser avaliados com mais frequência para que acompanhem a velocidade do mundo.

19. A hierarquia rígida, à moda antiga, tem sido um obstáculo para avanços.

20. O líder também vai ter de pôr a mão na massa e o liderado vai ter de ser líder de vez em quando e puxar a responsabilidade para si.

21. Humanização é para valer.

22. Em tempos incertos, inteligência emocional cresce na pauta de treinamento e desenvolvimento.

23. É preciso quebrar os vários tabus existentes nas empresas para gerar confiança.

24. Para engajar, a gestão deve se horizontalizar um pouco e trabalhar para conseguir consentimento em vez de consenso.

25. A capacidade de inovar das pessoas e das organizações foi testada no limite – competência que deve continuar em alta.

26. Cedo ou tarde, a consistência e a coerência das políticas de diversidade serão testadas.

27. As mulheres na liderança se destacaram na gestão da crise.

28. A flexibilização do trabalho deve oferecer mais oportunidades para as mulheres.

29. Ninguém voltará igual aos escritórios, e a organização vai ter de se redesenhar.

30. Saúde e equilíbrio continuarão fortes na pauta do RH.

Acompanhe os 100 aprendizados que a Revista HSM divulgou na edição de setembro de 2020.