A cultura em primeiro lugar — modelo de negócio

A cultura em primeiro lugar — modelo de negócio

Por Mauricio Goldstein

Modelo de Negócio

Porquê não expandir os negócios? “Tal como acontece com muitas empresas de sucesso, o impulso para expandir é contagiante. No entanto o que acontece com as empresas é que normalmente elas não querem correr o risco de mudar a própria escala ou cultura.”

Não há nenhum mal em que as empresas cresçam. Mas é fundamental que elas mantenham a cultura que foi estabelecida a partir do sonho compartilhado. A Container Store[1] é uma cadeia de lojas dedicada a vender organizadores de coisas, basicamente caixas para guardar qualquer tipo de objeto — de jóias a livros e sapatos. Fundada em 1978, a empresa tem 6.000 empregados e 60 lojas em todo o território norte-americano, tendo crescido uma média de 20% ao ano atingindo vendas de US$633 milhões em 2011.

“Um dos nossos princípios é o de que o bem-estar dos nossos empregados vem sempre em primeiro lugar”, afirma Audrey Robertson, vice-presidente de programas culturais, relações com a comunidade e mídia social da empresa. No ano em que a crise estourou, pela primeira vez as vendas da Container Store caíram: a redução foi de 7% naquele ano e de 5% no ano seguinte. O típico em uma situação como essa é demitir pessoas ou fechar uma ou mais lojas, para diminuir os custos.

“Mas pensamos o seguinte: como podemos dizer que somos uma empresa em que o empregado está em primeiro lugar e depois demitir as pessoas diante do primeiro problema que surge?”, diz Audrey. A empresa passou a se comunicar de maneira ainda mais intensa com os seus empregados para garantir que todos se sentissem seguros e tranquilos para lidar mais efetivamente com os desafios. Foi proposta uma redução de salários para diminuir os custos e todos concordaram. “Quando as pessoas se sentem seguras, elas vão passar a usar sua intuição de uma maneira muito maior e inovar, sem medo de que serão criticadas se errar. E quanto mais inovação, quanto maior o entusiasmo, mais oportunidades vão surgir.”

O primeiro valor da Container Store diz que “um ótimo profissional é igual a três bons”. Ao entrar em sua loja e conversar com as (poucas) pessoas que lá trabalham, nota-se como este valor se manifesta na prática e é totalmente coerente com seu modelo de negócio. As pessoas que entram na loja buscam organizar algo em suas vidas e muitas vezes vêm com uma ideia do que querem, mas sem conhecer exatamente tudo o que a loja pode lhes oferecer. Assim, o vendedor precisa ser um consultor de soluções para o cliente. A Container Store busca profissionais com maior qualificação do que o típico vendedor, tem menos pessoas na loja e paga bem acima do mercado — o que é bom para o seu negócio. Mas o mais interessante é a cultura que este valor gera: seu pessoal sente que trabalha com pessoas diferenciadas, percebe-se especial e valorizado e tem muito orgulho de estar na empresa. Cria-se um “clube” ao qual alguns poucos pertencem e isto fortalece profundamente o vínculo com a organização.

Mauricio Goldstein é sócio e consultor da Corall

[1] Disponível em http://standfor.containerstore.com