Acabamos de sair de uma reunião com um cliente em que co-desenhamos uma experiência com 21 líderes que estão catalisando a transformação de sua empresa para uma organização orientada por propósito, que cuide melhor das pessoas, em todos os sentidos, que opere mais em rede, que seja mais inovadora e que viva uma cultura de alta performance. Tudo isso além das batalhas que devem ser vencidas diariamente, da crise político-econômica que cria maiores desafios a cada semana e de seus processos e controles globais que às vezes tornam o trabalho mais trabalhoso.

À medida que o quadro pintado acima ficou mais claro para todos, percebemos que o sucesso da transformação iria depender muito da forma como o convite para ação seria feito. A jornada para transformação não poderia ser percebida como um novo conjunto de atividades e iniciativas, algo a mais do que já está incluso no prato de líderes e times, mas como um convite para fazer o que deve ser feito de forma diferente, inclusive salvando tempo e ajudando o sistema e as pessoas a encontrarem o lugar doce de trabalho em fluxo, resiliência e uma vida mais feliz.

Durante a conversa, outra ficha caiu: Dado que a tensão e o estresse na organização são percebidos de forma acima do desejado, foi evidenciado que deveríamos conversar sobre a ideia latente da empresa de resolver os problemas atuais e assim experimentar um período de baixa tensão e estresse! É muito improvável que isso aconteça dentro de uma companhia — e se pensarmos bem, seria incomum até mesmo em nossas vidas! -, já que a velocidade de mudanças tecnológicas e de comportamentos trazem mais e mais necessidade de adaptação e transformações.

Na Corall, em nossa forma de ver a vida — e as organizações -, as tensões e dores em qualquer sistema são portais para a evolução. A tensão é a canalização de energia necessária para que o sistema se transforme para um estado melhor e mais potente. Não adianta lutar contra as tensões, já que isso só gera estresse, desgaste ou adiamento da evolução que quer emergir!

Outro ponto evidenciado durante a reunião é a ideia de que a vida se caracteriza por tensão. A falta de tensão pode significar duas coisas: o final da evolução da vida no planeta ou a morte! Ou seja, à medida que a organização avançar na direção de seu propósito melhorando seu estado, outras tensões certamente surgirão, e está tudo bem! Isso somente indica que ela avançou e que está preparada para a próxima jornada de evolução.

Vicente Gomes é sócio consultor da Corall e escreve para o blog Gestão Fora da Caixa da Exame.