A Inteligência Artificial substituirá o seu trabalho?

90% das posições de advogados nos Estados Unidos vão se tornar obsoletas nos próximos anos devido ao crescente uso de sistemas inteligentes, baseados em inteligência artificial.

De uma forma simplificada, inteligência artificial (IA) é um ramo da ciência da computação que estuda como fazer os computadores realizarem coisas que, atualmente, os humanos fazem melhor.

A notícia do primeiro parágrafo circulou recentemente na internet e em redes de WhatsApp e no mínimo deixaria muitos advogados apreensivos. 90% pode parecer um número exagerado, mas um outro estudo, publicado pela consultoria Deloitte em 2016, afirma que reformas profundas ocorrerão na próxima década, e estima-se que 40% das posições no setor legal acabarão sendo automatizadas.

Parece que não há dúvida que este será um setor profundamente impactado por esta tecnologia nos próximos anos. Estas novas plataformas serão cada vez mais capazes em selecionar documentos em busca de evidências a serem usadas nos processos, revisar e criar contratos comparando com outros já realizados e sinalizar possíveis fraudes.

Já há farta evidência que estas atividades podem ser realizadas com um nível de acuracidade maior que a dos humanos. Os trabalhos legais de “carregadores de piano” serão substituídos. E o nível de precisão dos resultados só cresce. Quando um resultado da plataforma é percebido como não tão bom, adicionam-se novas informações e o novo processamento é melhorado. E programas mais sofisticados vão apreendendo automaticamente com suas falhas, tornando-se mais “inteligentes”.

Por outro lado, lembrei da conversa que tive com um amigo que trabalha no setor bancário que relatou o que ocorreu historicamente com a introdução de caixas eletrônicos. Houve uma drástica redução das posições de caixas bancários, mas por outro lado, a redução de custos permitiu a expansão do número de agências e o foco nas agências passou a ser muito mais em vendas, forjando relacionamentos com os clientes, resolvendo problemas e apresentando novos produtos como cartões de crédito, empréstimos e investimentos.

Se usarmos esta mesma linha de raciocínio, poderíamos contra argumentar então que ao mesmo tempo que várias posições de advogados serão extintas, outras tantas poderão aparecer com os custos mais acessíveis que serão gerados nesta nova realidade, ou seja, muitos serviços que hoje só estão disponíveis a quem pode pagar preços premium, ficarão disponíveis a um número muito maior de pessoas.

Citamos o exemplo dos advogados aqui, mas de fato muitas outras profissões podem ser enquadradas neste mesmo desafio.

Com este dilema em perspectiva lembrei de uma palestra de David Autor, professor de economia do MIT — Massachusetts Institute of Technology, onde explora, através de uma análise histórica, que apesar de todas as inovações tecnológicas que vêm acontecendo ao longo das últimas décadas, que a quantidade total de empregos continua alta. Prof. Autor usa 2 princípios para fundamentar sua tese.

Um tem a ver com a genialidade e a criatividade humana. O outro, com a insatisfação humana.

Em geral, automatizar um subconjunto dessas tarefas não torna as outras desnecessárias. Na verdade, torna-as mais importantes. Conforme nossas ferramentas melhoram, a tecnologia engrandece nossa influência e aumenta a importância das nossas especialidades, do nosso julgamento e da nossa criatividade. Este primeiro princípio diz que o trabalho remanescente será mais importante, com maior especialização e sofisticação.

Mas isso não diz quantos empregos serão necessários. Se você pensar nisso, não é óbvio que, se conseguirmos produtividade suficiente em algo, basicamente destruímos um grande número de empregos? Por exemplo, em 1900, 40% dos empregos americanos eram nas fazendas. Hoje, são menos de 2%.

Mas o que é verdade sobre um simples produto, serviço ou indústria nunca foi verdade para a economia como um todo.

Muitas indústrias nas quais trabalhamos hoje mal existiam pouco tempo atrás. Um exemplo marcante para mim é que estamos completando em 2017, 10 anos de lançamento do primeiro smartphone do mercado, o iPhone. Imaginem quantos novos mercados, produtos e serviços foram criados neste curto espaço de tempo.

Um olhar é que à medida que a automação libera nosso tempo e aumenta as possibilidades, inventamos novos produtos, novas ideias, novos serviços que chamam a nossa atenção, ocupam nosso tempo e estimulam o consumo. A invenção gerando necessidade. Sempre haverá um novo trabalho a ser feito.

Num nível macro, então, podemos prever que haverá um remanejamento de posições de trabalho. Neste cenário emergente e acelerado os bons empregos, que estão sendo e continuarão a ser criados, necessitarão cada vez mais de qualificação, o que só ressalta a prioridade do investimento em educação.

No nível do indivíduo, no entanto, juntamente com esta necessidade de se buscar a especialização, criatividade, julgamento e análise, é cada vez mais imperativo que se desenvolva a capacidade de se adaptar e se reinventar constantemente.

Sinta-se à vontade para trocar mais ideias sobre o tema escrevendo para mim. Meu e-mail é [email protected].

Artigo originalmente postado no blog Gestão Fora da Caixa, da Exame.com

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