Fabio Betti

Você não é o seu trabalho

Amar o trabalho não é uma dádiva ou resultado da sorte. É uma escolha. Você pode não ter o melhor trabalho do mundo e mesmo assim amar o que faz. Simplesmente porque ele faz algum sentido para você. Nem que seja porque com ele você consegue pagar suas contas. Ou, quem sabe, realizar seus sonhos? Têm tantas pesquisas demonstrando que as pessoas que amam o seu trabalho também são mais produtivas, o que normalmente se traduz em mais chances de reconhecimento, oportunidades de carreira e em um índice de empregabilidade muito maior, que nem vamos perder nosso tempo aqui recitando…

As pessoas querem colaborar

Dois sócios de minha mais nova empreitada — uma organização em rede que combina serviços de consultoria e agência de comunicação — voltaram de uma reunião com um briefing para a criação de uma campanha. Como se tratava de uma concorrência, escolheram tocar o desafio apenas entre eles. Alegavam que não queriam envolver outras pessoas numa situação de alto risco, haja vista que várias agências — algumas, inclusive, maiores e mais experientes que a nossa — estavam no páreo. Lancei a provocação: “Por que não perguntam para as pessoas se topam participar no risco?” Colocada a pergunta, surpresa! Praticamente quase todos da rede não só aceitaram o desafio…

Os primeiros passos de um hacker de linguagem

Toda vez que você se sente ameaçado(a), seu cérebro simpático assume o comando. Pode esperar secreção imediata de adrenalina e cortisol, com consequente aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial e do açúcar no sangue para a obtenção de energia e reações automáticas como luta, fuga ou paralisia. Acredite: não é um defeito de fábrica. Pelo contrário, é o melhor que seu organismo é capaz de fazer numa situação que seu sistema nervoso interpreta como um perigo para sua vida. E é aí que começam os problemas. Na maior parte das vezes em que esse mecanismo é acionado, não…

Aprecie sem moderação

Tenho me assustado com os atuais níveis de intolerância que venho observando nas interações entre pessoas. E não falo só da polarização nas redes sociais. No mundo do trabalho, não me recordo de já ter vivido um ambiente tão tenso e com tantas dinâmicas de desqualificação — e isso entre pessoas que, a priori, estão no mesmo barco e deveriam portanto, remar para a mesma direção. É um tal de um falar mal do outro, numa perseguição cega por culpados que até um consultor já calejado como eu se surpreende com a quantidade de conflitos de natureza visivelmente emocional e agendas ocultas…

A lógica limitante da receita de bolo

Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, os 6 Passos para Acelerar Resultados e Decolar, as 201 Maneiras de Enlouquecer um Homem na Cama, as 100 Maneiras de Motivar as Pessoas, as 53 Maneiras de Acalmar a Mente e Aproveitar a Vida… Você já reparou a quantidade de livros e artigos baseados em listas? Embora eu aposte nas boas intenções de muitos dos autores e editores dessas publicações, que talvez descobriram nas listas uma forma de simplificar a vida, ampliando o acesso a conteúdos que realmente podem ser úteis às pessoas, o risco é justamente a banalização do que não…

Uma sociedade em rede cada vez mais depende do empoderamento pessoal

“Precisamos criar algo bom para todos os stakeholders — empresários, funcionários, fornecedores, clientes e sociedade como um todo. Fazer com que a gente resolva os interesses individuais e ao mesmo tempo solucione os problemas da sociedade”. Ele iniciou a carreira no marketing de companhias tradicionais como Natura, Gillette e Johnson & Johnson no Brasil e nos Estados Unidos. Em 1999, participou de uma iniciativa pioneira na Internet do Brasil, como responsável pelo marketing e novos negócios da Webmotors. Depois, atuou como diretor de marketing e novos negócios do MSN, na Microsoft. Estamos falando de Max Petrucci, que em 2006 fundou a Garage,…

Quem não está em crise está em apuros

No meio de uma conversa com um executivo de Recursos Humanos, pergunto: – Qual é a transformação pela qual vocês estão passando nesse momento? – Atualmente? – Sim. – Atualmente não estamos passando por nenhuma transformação. – … Fiquei em silêncio, sem saber o que dizer. Como assim “não estamos passando por nenhuma transformação”? Já não bastasse o fato de, como sistema vivo, toda organização trazer intrinsecamente o princípio básico da transformação, quem pode se dar ao luxo de não estar vivendo algum tipo de transformação nesse maluco mundo VUCA (sigla em inglês para Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo)? A exemplo…

Os CEOs brasileiros sabem que precisam reinventar seus negócios

Entrevista com Fabio Betti, sócio consultor da Corall para Época NEGOCIOS. Não acho que as empresas sejam objetos de revoluções. Empresas são objetos de evoluções”. Prestes a assumir a presidência da Vale, o experiente executivo Fabio Schvartsman refere-se precisamente aos tempos em que comandou a Klabin. Sabia que precisava ajudar a modernizar a empresa, mas o caminho não era o de “enfrentar de frente uma cultura forte” ou pregoar reformas revolucionárias. Era reinventar o que já existia — evoluindo, valorizando aspectos positivos da empresa, mantendo as mesmas pessoas e alterando uma ou outra política de incentivos. Parece que deu certo. Durante a…

O manual do deboísta corporativo

Para enfrentar a onda de desesperança que nos abateu e continua nos abatendo, a salvação pode estar no deboísmo. No meio de uma conversa de Facebook, uma amiga referiu-se a mim como deboísta. Procurando disfarçar a ignorância, apenas curti o comentário e fui correndo me consultar com o Dr. Google. Para meu alívio, logo descobri não ser nenhuma doença grave. Pelo contrário, para enfrentar a onda de desesperança que nos abateu e continua nos abatendo com uma frequência e uma intensidade quase que insuportáveis, a salvação pode estar no deboísmo. O movimento não é novo. Consta que surgiu em agosto…

“Vamos jogar fora nossa varinha mágica” | Entrevista com Rozália Del Gaudio — Gerente sênior de comunicação e sustentabilidade da C&A

Uma hora antes de liderar um workshop para profissionais de diferentes áreas da C&A sobre novos cenários da comunicação, a Gerente Sênior de Comunicação e Sustentabilidade da empresa no Brasil recebeu Fábio Betti (Corall) e André Lorenzetti (LVBA) para uma conversa aberta e enriquecedora. Trazemos a essência desse bate papo, que aborda um pouco do que a C&A já faz de diferente em comunicação, pensamentos e visão de futuro dessa executiva que afirma não haver mais espaço para mágica e receitas prontas na comunicação organizacional. FB — Quando você olha sua trajetória de 23 anos na comunicação, incluindo estar no ‘outro lado…