Nesta semana ganhei um presente da vida — e que presente! Minha mãe ganhou um prêmio em uma campanha de incentivo de uma grande companhia e me convidou para acompanhá-la na viagem a uma linda cidade européia. A viagem foi uma oportunidade única de resgatar as minhas raízes e as histórias da família.

Ao longo da minha carreira como executivo organizei muitos eventos e viagens de incentivo. Dessa vez, vivenciei uma experiência inusitada, participando do evento como acompanhante e junto com mais de mil brasileiros, pude desfrutar da cultura, da história e da beleza da Europa. Sempre me perguntei se este era o melhor investimento para engajar equipes, clientes e fornecedores, e confesso que, apesar de ter me divertido e aproveitado a viagem, voltei com a mesma pergunta e outras reflexões.

Foram várias noites em cenários deslumbrantes com a presença de músicos famosos e atores globais que comandaram a premiação dos campeões do ano. No discurso do presidente da empresa poucas palavras sobre a crise em casa, que ficou do outro lado do oceano, e muitas frases sobre as oportunidades de continuar crescendo, ganhando competitividade e participação de mercado. E, no final da noite de gala, foi anunciado o esperado por todos — “ano que vem estaremos juntos com os campeões do ano em outra linda cidade a milhares de quilômetros de casa”.

Se nos apegamos à crise, acreditamos que estamos cada vez mais perto do fundo do poço. Neste estado de apego nos sentimos atraídos pelas más notícias, ocupamos a mente com pensamentos ruins e a todo instante falamos sobre os problemas do país e do mundo.

Sem dúvida, a visão deste líder empreendedor contagiou e engajou a sua equipe, além, também, de construir a imagem de um futuro de abundância para os clientes e fornecedores do negócio. No mesmo contexto, outro líder empresarial poderia se emaranhar no “transe da crise” e se paralisar sem coragem de agir, por meio do cancelamento de programas de incentivo como este, pressionar insistentemente por resultados sem dizer como, cortar custos sem se preocupar com as consequências e fazer de tudo para fechar o trimestre no azul sem pensar em longo prazo.

Se nos apegamos à crise, acreditamos que estamos cada vez mais perto do fundo do poço. Neste estado de apego nos sentimos atraídos pelas más notícias, ocupamos a mente com pensamentos ruins e a todo instante falamos sobre os problemas do país e do mundo.

Nós, seres humanos, temos a dádiva de ter a possibilidade de “co-criar” um mundo cada vez melhor. No entanto, como percebemos, o mundo é nossa escolha, uma escolha pautada pelas nossas experiências, valores, crenças e modelos mentais que construímos ao longo da vida. A nossa mente usa os sentidos para perceber no ambiente o que está querendo ver e naturalmente presta menos atenção ou até ignora o que não reforça a sua perspectiva.

Se nos fixarmos em ver “crise”, vamos ver e viver crise! Se fizermos outra escolha podemos perceber os mesmos fatos como sinais de ciclos naturais, de altos e baixos na evolução da humanidade. Também é enxergar no presente as evidências do futuro que está por vir e, a partir desta perspectiva, criar sonhos e transformá-los em realidade, para assim contribuir ao desenvolvimento de empresas cada vez mais competitivas e sustentáveis.

José Luiz Weiss é sócio da Corall e escreve para o blog Gestão Fora da Caixa, da Exame.