Escândalos políticos, crise econômica e pessimismo são as pautas da mídia nos últimos meses! O cenário me lembra aquela música do Bezerra da Silva que diz: “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”. E como a cada dia novos fatos, ou “bombas”, vem à tona, ninguém se atreve a prever o fim da crise…

Mas, o mais curioso para mim é que enquanto toda esta bagunça no nosso contexto político e econômico acontece, muitas empresas estão descobrindo novas maneiras de operar. Assim, meio que à contramão do que seria esperado, uma nova economia está surgindo! Produtos sustentáveis que consideram aspectos ambientais e sociais, empresas que estabelecem relações mais equilibradas de ganha-ganha com seus fornecedores e clientes, modelos de trabalho menos hierarquizados ajudando a liberar o potencial de cada indivíduo e outras práticas podem ser percebidas.

Meus sócios, Vicente Gomes e Maurício Goldstein, escreveram livros com vários exemplos interessantes sobre o que está surgindo na nova economia, sob o ponto de vista da liderança e das organizações. Ainda destaco que o movimento do capitalismo consciente também possui uma bibliografia muito rica com estudos e exemplos destas novas práticas. Ter contato com tais exemplos nos inspira e traz confiança de que mesmo em um contexto desafiador, podemos fazer diferente e melhor!

Agora, para se permitir este olhar positivo, além de exemplos inspiradores, é preciso abrir mão da necessidade da perfeição. Muitas vezes descredenciamos algo bom que uma empresa faz em função de alguma outra prática ¨não tão boa¨ que ela ainda possa ter. Ao fazer isto, reduzimos nossa possibilidade de aprendizado coletivo, pois pintamos o mundo de preto e branco (“Para uma empresa ser boa, tem que ser boa em tudo!”), sem reconhecer os diversos tons de cinza.

A imperfeição e a incoerência são partes integrantes da inovação! Percebê-las é importante para não estacionar o processo de evolução, mas também para reconhecê-las como indicadores de movimento e progresso.

Mas, será que estamos prontos para inovar e expor nossas imperfeições ou preferimos nos manter como observadores críticos? Este fim de semana, assisti um filme bem inspirador intitulado “Eddie the Eagle”, “Voando alto” em português. Ele conta parte da história de vida do atleta olímpico inglês Michael Edwards, que em 1988 competiu nas Olimpíadas de Inverno na categoria de ski jumper. Mesmo diante de desafios físicos, críticas e inúmeras dificuldades, conseguiu se classificar na competição em tempo recorde e ser aclamado como herói, mesmo tendo chegado por último! Lindo exemplo da imperfeição humana mostrando toda sua beleza e potencial.

Quem sabe se conseguirmos reconhecer a beleza do imperfeito no outro, possamos também acolher nossa própria imperfeição e assim abrir novos espaços na vida vendo este momento de crise do país como uma grande oportunidade para fazer diferente!

Alessandra Almeida é sócia consultora da Corall e escreve para o blog Gestão Fora da Caixa da Exame.

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