O jeito que pensamos no negócio influencia na forma como agimos na organização?

Imagino que, assim como eu, você esteja perplexo com a complexidade dos cenários político-econômico, social, ambiental e de negócios no Brasil! E, se você é líder em sua empresa, também deve estar confuso e um tanto inseguro para navegar nesses mares turbulentos atuais. Lendo “Imagens da Organização”, de Gareth Morgan, descobri uma carta náutica que utilizei como método de auxílio no avanço das organizações de meus clientes em busca de seus destinos pretendidos e gostaria de compartilhar tal mapa.

A primeira reflexão que Gareth nos traz tem a ver com modelos mentais. Qualquer teoria, imagem ou metáfora que temos a respeito de algo é somente uma perspectiva para nos ajudar a entender a realidade. Ela nos ajuda enquanto funcionar para você e para os outros. Mas, a partir do momento que se torna disfuncional, o sistema entra em crise e gera um chamado de desapego desta imagem e a exploração de novas possibilidades. Talvez seja essa a grande descoberta da obra de Gareth: desenvolver a capacidade de desapego dos nossos modelos mentais e explorar outras formas e perspectivas para entendimento e ação nestes tempos instáveis, ambíguos e paradoxais.

Gareth também nos ajuda a explorar outros modelos mentais quando descreve oito metáforas de como vemos e vivemos uma organização: a organização como máquina, a organização como um organismo vivo, a organização como um cérebro, a organização como uma cultura, a organização como um sistema político, a organização como uma prisão psíquica, a organização como fluxo e transformação e a organização como um instrumento de dominação.

Talvez a simples nominação de cada metáfora já tenha despertado algumas identificações, curiosidades e estranhezas e somente isso já tenha aberto suas perspectivas sobre o mundo organizacional em que você vive. Resumi essas metáforas no quadro abaixo, mas gostaria de fazer uma sugestão: só veja a tabela após o final da leitura do texto!

O meu segundo momento de descoberta foi quando percebi que todas essas metáforas convivem ao mesmo tempo no nosso dia a dia, em minha rede de pensamentos ou nas outras pessoas que estão presentes na mesma situação. E, dependendo da metáfora que estou usando para descrever a realidade em que vivo, isso impacta meu bem-estar, minhas decisões e ações, além de também impactar o destino da organização e de suas partes interessadas.

Então, para mim, o mapa para navegar nestes tempos turbulentos é reconhecer a cada momento que metáfora eu estou utilizando para ler determinadas situações e explorar se outras me ajudariam mais ou menos e, assim, conseguir fazer escolhas diferentes, talvez melhor informadas e mais coerentes com seu propósito — meu e da própria organização-. E, se fazemos esse exercício coletivamente, melhor ainda serão as resoluções.

Estou curioso para saber que outras metáforas existem por aí! Você tem uma diferente?

Vicente Gomes é sócio consultor da Corall e escreve para o blog Gestão Fora da Caixa da Exame.