Os cinco valores de Maslow são os valores pelos quais vivem as pessoas que não têm mais nenhuma razão de viver — Engajamento

“Os cinco valores de Maslow são os valores pelos quais vivem as pessoas que não têm mais nenhuma razão de viver.” — Engajamento

Por Alessandro Gruber

Quando foi a última vez que você realizou algo que fazia tanto sentido e era tão relevante que, enquanto você estava em ação, simplesmente nem percebeu que precisava se alimentar, dormir ou ir ao banheiro? Ou, até mesmo nem se preocupou em pensar se seria muito bem pago ou bem reconhecido pelos outros? Você simplesmente entrou em um estado tão grande de concentração, prazer e realização que nada mais importava, você foi completamente arrebatado?

Você estava experimentando o estado de FLOW, ou estar em fluxo. Em FLOW, é estar naquele momento onde você sabe o que precisa ser feito e, apesar de todas as dificuldades, acredita que é possível fazer. Você se sente parte de algo maior e se esquece de você mesmo. O que você está fazendo se torna valioso por si mesmo.

Esse conceito foi criado pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, um dos pioneiros no estudo da felicidade, engajamento e criatividade humana. Segundo ele, o FLOW acontece quando o que você precisa fazer é algo claramente desafiador (um desafio acima da média) e você se sente competente (com habilidades acima da média) para realizar.

Se quiser saber mais sobre o FLOW, clique aqui e veja a palestra “Flow — o segredo da felicidade” que Mihaly fez no TED.

Mas, o que tudo isso tem a ver com a afirmação do título: “Os cinco valores de Maslow são valores pelos quais vivem as pessoas que não têm mais nenhuma razão para viver.”? Tudo!

Quando experimentamos o estado de FLOW ou quando temos uma fé e um propósito tão claros que chegam a se tornar palpáveis, conseguimos transcender de nosso modelo primitivo básico, das necessidades descritas por Maslow, e sentimos que somos arrebatados de nós mesmos. Ficamos tão entusiasmados que abrimos mão de nossa segurança, de nosso prestígio, e até mesmo de algumas necessidades básicas. Alguns (talvez, a maioria) começam a nos chamar de loucos, outros (talvez, a minoria igualmente louca) passam a nos admirar e a caminhar junto.

Joseph Campbell, o autor da frase questionadora que está no título, descreve em um trecho de seu livro “Mito e Transformação” exatamente sobre isso:

“Admiro muito o psicólogo Abraham Maslow. No entanto, quando li um dos seus livros, encontrei uma espécie de escala de valores pelos quais, de acordo com suas pesquisas psicológicas, as pessoas viveriam. Ele apresentou uma lista de cinco valores: sobreviência, segurança, relacionamentos pessoais, prestígio e realização pessoal. Olhei para a lista e me perguntei por que me parecia tão estranha. Enfim percebi que esses são exatamente os valores pelos quais a mitologia transcende.

Sobrevivência, segurança, relacionamentos pessoais, prestígio e realização pessoal — pelo que eu saiba, são exatamente esses valores que não são os mais importantes na vida de uma pessoa de inspiração mítica. Eles correspondem ao modo biológico primário concebido pelo consciente humano. A mitologia começa onde começa a loucura. A pessoa que tenha sido cativada por um chamado, uma devoção, uma crença, um entusiasmo, sacrificará a sua segurança, sacrificará até mesmo a própria vida, sacrificará os relacionamentos, sacrificará o prestígio e nem pensará em realização pessoal — entregar-se-á por inteiro a seu mito. Cristo dá uma pista quando diz: “Quem perder sua vida por minha causa a encontrará”.

Os cinco valores de Maslow são os valores pelos quais vivem as pessoas que não têm mais nenhuma razão de viver. Nada se apoderou delas, nada as arrebatou, nada as levou a loucura espiritual e as tornou interessantes para conversar. Essas pessoas são chatas. (Numa nota de rodapé maravilhosa de um ensaio sobre Dom Quixote, Ortega Y Gasset escreveu: “Chato é aquela que nos priva da solidão sem nos fazer companhia”.)

Aqui, o despertar do assombro é crucial, aquilo que Leo Frobenius, o admirável estudioso das culturas africanas, chamou de Ergriffenheit — algo que se apodera de uma pessoa e a arranca de si.

Nem sempre é fácil ou possível saber o que se apodera de nós ou nos arrebata. Você se vê fazendo coisinhas bobas e é arrebatado, mas não sabe que forças estão em jogo”.

O que tem lhe arrebatado atualmente ou ao longo de sua vida? As organizações de hoje proporcionam um ambiente e um modelo de gestão que estimula o estado de FLOW e o arrebatamento? Como líder, como você poderia proporcionar para sua equipe desafios acima da média equilibrados com competências acima da média para desfrutarem juntos de mais momentos de FLOW e mais resultados?

Alessandro Gruber é sócio e consultor da Corall