Você já parou para pensar sobre esta pergunta? Nós, consultores, quase diariamente temos que orçar um determinado trabalho para um cliente e a forma mas comum de fazer isso é precificar uma hora de trabalho e multiplicar pelo número de horas estimadas para o trabalho.

Sempre pensei que esta seria uma boa medida para o valor do meu tempo. Em algumas situações até chegava a comparar com outros colegas ou colegas de outras empresas para manter-me competitivo no mercado e também como uma forma de saber onde estava na hierarquia social, devo confessar.

Depois de ler um livro chamado “Seu dinheiro ou sua vida”, de Joe Dominguez e Vick Robin, um outro significado para o valor de meu tempo foi se desenvolvendo. Os autores lhe ajudam a pensar sobre quanto tempo você ainda tem nesta vida e como você quer gastar este caro recurso, para assim decidir por quanto você gostaria de vender seu tempo, afinal de contas o tempo é seu, e como você vai gastá-lo deveria ser sua decisão.

Você já parou para calcular quanto tempo de vida você ainda tem (aproximadamente é claro!)? Por exemplo, se tenho 50 anos e a expectativa de vida em São Paulo é aproximadamente 80 anos, ainda me restam 30 anos, o que em horas resultam em 262.800 horas. Um terço destas são horas de sono, sobrando então 175.200 horas para as atividades como comer, cuidar do corpo, trabalhar, se divertir, estudar, conviver com família e amigos etc.

175.200 horas ativas! Se você soubesse que tem 175.200 horas ativas de vida, por quanto venderia uma destas horas se fosse para fazer algo que não fosse viver uma boa vida? Quanto custa para você viver uma hora de vida, em média, incluindo alimentação, educação, saúde, roupas, moradia e equilíbrio mental? Essas perguntas ficaram comigo um bom tempo até eu perceber a importância de dedicar cada uma destas finitas horas para viver uma vida bem vivida, com significado e gozo. Foi dessa reflexão que empreendi uma série de mudanças no meu trabalho, meu estilo de vida e nas coisas que gostaria de fazer antes destas horas terminarem.

O livro também ajuda você a estabelecer uma estratégia de vida, com significado e segurança financeira. Um dos conceitos para isso é a definição individual de uma meta de “o bastante”, um valor em dinheiro que permita um bom viver e bem cuidar dos que lhes são queridos. A mudança da forma de pensar de “mais é melhor sempre” para “chegar a um valor específico que otimiza a vida” já ajuda muito a viver melhor.

Outro insight que impactou meu estilo de vida foi a importância de fazer o que tem significado para mim no trabalho, afinal se essas horas também podem ser vividas com satisfação e significado, o senso de uma vida com propósito aumenta.

Hoje consigo ter mais elementos para decidir quanto vale meu tempo e por quanto eu o troco de acordo com o tipo de trabalho ou experiência ou ainda, onde posso doar meu tempo para causas maiores. E você, tem uma boa noção de quanto vale seu tempo?

Artigo originalmente publicado em Gestão Fora da Caixa da Exame.com