Responda rapidamente, com base na sua experiência do dia a dia, a seguinte pergunta:

Na minha empresa, as pessoas trabalham:

(a) separadas, em silos, cada uma com foco em cumprir “suas metas”
(b) juntas, de forma totalmente integrada e coordenada, a serviço do todo

Não sei o resultado estatístico a este questionamento, mas considerando as conversas que tenho com empresários, executivos e trabalhadores em geral, suspeito que a maior parte das pessoas responderia a opção (a). A grande maioria se queixa que sua organização opera em castelinhos, igrejinhas, silos, de forma totalmente fragmentada. Este parece ser um dos principais sintomas das empresas do século XXI, já que vivemos em uma época em que nunca estivemos tão próximos, com o advento da internet e dos meios de comunicação globais, redes de relacionamento e escritórios abertos. Que estranho paradoxo! Nunca estivemos tão perto e tão longe dos outros ao mesmo tempo.

E isto não acontece apenas no âmbito empresarial. Estamos vivendo talvez uma das maiores polarizações da história política e social do Brasil, onde cada um se crê certo e crê que “o outro lado” está errado: “Como eles podem pensar deste jeito? Será que são cegos?”. E cada um quer impor a sua vontade e sua verdade, não importando exatamente o impacto que isto terá sobre o outro.

Também no nível individual, o consumo de produtos ansiolíticos e antidepressivos tem aumentado significativamente. Apesar de todos os mecanismos de conexão que a tecnologia nos oferece, as pessoas se sentem muitas vezes desconectadas e separadas dos outros e de si próprias. Parece que vivemos tempos polares, hiper-conectados por um lado e muito solitários por outro. A fragmentação e a separação se espalham em vários níveis do viver!

É preciso perceber que no nível superficial podemos parecer separados mas que no fundo estamos inevitavelmente juntos e conectados. Se pudermos viver a partir desta premissa, tudo muda! Lembrar que você e eu queremos ser felizes, queremos amar e nos sentir amados, queremos pertencer, queremos conviver, queremos criar, queremos ser úteis, queremos rir, queremos aprender e crescer, queremos realizar. No fundo, queremos a mesma coisa! Alguém pode ler isso e pensar: “Mas queremos de formas diferentes”. E isto é verdade e esta é a beleza da vida, o que nos põe em movimento. É da diferença e da tensão que vem a energia da criação, da inovação e a vitalidade que gostamos tanto de sentir.

E a solução é a mesma em todos estes níveis: a integração das diferenças e das polaridades.Numa visita ao Vale do Silício para estudar como eles conseguiram criar um ecossistema tão inovador, sai com uma lição simples. Trata-se de diversidade com confiança, a capacidade de termos confrontos nas ideias mas amor no coração, de termos perspectivas diferentes mas insistirmos em nos manter conectados através do diálogo, mesmo em momentos de extremo desconforto, conscientes de que estamos juntos e que buscamos o mesmo. Buscamos uma sociedade justa e acolhedora para todos, próspera; uma empresa em que o trabalho e a paixão flua entre nós e que possamos expressar nossa potência e inovar juntos; uma vida em que eu me sinta fazendo parte, produtivo e realizado. Vamos experimentar falar “verdades com amor”. Mais que aceitar as diferenças, vamos buscar soluções criativas que as transcendem, que são construídas coletivamente sobre o saber que estamos invariavelmente juntos, não importa o que acreditemos ou pensemos no momento, não importa o quão conscientes estejamos deste fato. O que eu faço impacta você e vice-versa. Vamos criar um novo pacto social e uma nova organização e coordenação no Brasil, nas nossas empresas e nas nossas vidas, um pacto que se baseia no fato de que já somos unidos. Fomos convidados juntos a experimentar a aventura da vida neste planeta e neste momento, e a aceitamos. Seja bem-vindo ao tempo e à consciência da conexão e da integração. Tamo junto!

Mauricio Goldstein é sócio da Corall e escreve para o blog Gestão Fora da Caixa da Exame.

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